A transformação digital no setor bancário deixou de ser uma iniciativa estratégica opcional para se tornar um imperativo competitivo.
A adoção acelerada de canais digitais, computação em nuvem, inteligência artificial e open finance ampliou significativamente a eficiência operacional e a experiência do cliente.
No entanto, esse mesmo movimento também elevou, de forma proporcional, a complexidade do ambiente de riscos digitais.
O relatório “O Futuro de Riscos no Setor Bancário”, da KPMG, oferece uma visão abrangente sobre como os bancos estão lidando com esse novo cenário, marcado por volatilidade econômica, fragmentação geopolítica, pressões regulatórias e riscos tecnológicos emergentes.
O estudo mostra como a gestão de riscos - especialmente os digitais - deixa de ser apenas reativa e focada em conformidade para tornar-se um habilitador estratégico de geração e proteção de valor.
Neste artigo, apresentaremos um panorama dos principais riscos digitais enfrentados pelo setor bancário, com base nos insights do relatório da KPMG.
Exploraremos tendências, desafios e caminhos para uma gestão de riscos mais resiliente e orientada ao futuro.
1. A nova realidade dos riscos digitais no setor bancário
Segundo a KPMG, os bancos operam hoje em um ambiente caracterizado por incerteza contínua.
A volatilidade econômica e a complexidade geopolítica deixaram de ser eventos pontuais e passaram a compor o “novo normal”.
Nesse contexto, os riscos digitais não podem mais ser analisados de forma isolada, pois estão profundamente interconectados a riscos operacionais, regulatórios, reputacionais e estratégicos.
A digitalização intensificou a dependência de sistemas tecnológicos, dados e terceiros, ampliando a superfície de ataque das instituições financeiras.
Ambientes legados, processos manuais e arquiteturas fragmentadas ainda estão presentes em muitas instituições.
Eles convivem com soluções modernas baseadas em nuvem, APIs e automação, criando um cenário híbrido e complexo para a gestão de riscos.
Falhas tecnológicas, interrupções de sistemas, incidentes cibernéticos e problemas na cadeia de fornecedores digitais estão entre os principais vetores de risco para os bancos atualmente.
Esses eventos podem gerar impactos financeiros significativos, além de comprometer a confiança de clientes, reguladores e investidores.
2. Riscos não financeiros e sua relação com o ambiente digital
Um ponto central do estudo da KPMG é a crescente relevância dos chamados riscos não financeiros.
Embora não estejam diretamente ligados a crédito, mercado ou liquidez, esses riscos têm potencial para causar perdas financeiras expressivas.
No contexto digital, os riscos não financeiros se manifestam de diversas formas:
- Falhas de segurança da informação e vazamentos de dados sensíveis;
- Indisponibilidade de serviços digitais críticos;
- Fraudes digitais e ataques sofisticados;
- Uso inadequado ou não governado de tecnologias emergentes, como inteligência artificial;
- Dependência excessiva de fornecedores de tecnologia e serviços em nuvem.
A complexidade estrutural dos bancos e a necessidade de aumentar a resiliência operacional estão entre os principais fatores que impulsionam o crescimento desses riscos.
À medida que os modelos de negócio se tornam mais digitais e distribuídos, a gestão de riscos precisa acompanhar essa evolução.
3. Digitalização, inovação e o dilema do risco
A digitalização oferece vantagens competitivas claras, mas também impõe novos desafios à gestão de riscos.
O relatório aponta que falhar em adotar tecnologias digitais pode deixar os bancos em desvantagem frente a concorrentes mais ágeis, como fintechs e big techs.
Por outro lado, adotar inovação sem uma evolução correspondente na gestão de riscos pode resultar em consequências graves.
Entre os principais riscos digitais associados à transformação tecnológica, destacam-se:
- Novas abordagens de fraude em ambientes digitais;
- Aumento da exposição a ataques cibernéticos avançados;
- Riscos relacionados à proteção do consumidor em canais digitais;
- Dependência de sistemas altamente integrados e interconectados;
- Interrupções operacionais causadas por falhas tecnológicas.
O estudo reforça que a inovação digital precisa ser equilibrada com controles eficazes, governança sólida e uma visão integrada de riscos.
Nesse cenário, a gestão de riscos deixa de ser um freio à inovação e passa a atuar como um elemento de sustentação do crescimento.
4. O papel estratégico do CRO na gestão de riscos digitais
Conforme a KPMG, o papel do Chief Risk Officer (CRO) está passando por uma transformação profunda.
Antes visto principalmente como um guardião da conformidade regulatória, o CRO passa por uma mudança relevante de posicionamento.
Ele assume agora uma função estratégica, orientando os bancos em um ambiente de riscos cada vez mais dinâmico e interconectado.
No contexto dos riscos digitais, o CRO é responsável por:
- Integrar riscos cibernéticos e tecnológicos ao framework corporativo de gestão de riscos;
- Garantir que riscos emergentes sejam identificados e avaliados de forma proativa;
- Promover a colaboração entre a primeira e a segunda linhas de defesa;
- Apoiar a tomada de decisões estratégicas com base em dados e cenários prospectivos.
Uma gestão de riscos eficaz pode se tornar uma vantagem competitiva, desde que esteja alinhada aos objetivos de negócio e integrada aos processos organizacionais.
5. Inteligência artificial: oportunidade e risco
A inteligência artificial, incluindo machine learning e IA generativa, ocupa posição de destaque no relatório da KPMG.
Essas tecnologias oferecem enorme potencial para automação, análise avançada de dados, detecção de fraudes e melhoria da eficiência operacional.
No entanto, o uso de IA também introduz riscos relevantes, como:
- Decisões automatizadas incorretas ou enviesadas;
- Falta de transparência e explicabilidade dos modelos;
- Riscos regulatórios e de conformidade;
- Uso inadequado de dados sensíveis;
- Dependência excessiva de sistemas automatizados.
Os bancos precisam avançar com cautela, estabelecendo salvaguardas claras, políticas de governança e mecanismos de controle para garantir o uso responsável e confiável da IA.
Nesse contexto, o CRO desempenha papel central na definição dessas diretrizes.
6. Dados, infraestrutura e resiliência digital
Outro tema crítico abordado na pesquisa da KPMG é a qualidade dos dados e da infraestrutura tecnológica.
Segundo o relatório, a fragmentação de sistemas, a baixa qualidade dos dados e a ausência de uma abordagem integrada de gestão da informação continuam sendo obstáculos relevantes para a eficácia da gestão de riscos.
Sem dados confiáveis, tempestivos e bem integrados, até os modelos de risco mais sofisticados perdem sua eficácia.
Além disso, exigências regulatórias, como a agregação eficaz de dados e a transparência nos relatórios, ampliam a pressão sobre os bancos para modernizar suas infraestruturas.
Muitas instituições estão investindo em projetos corporativos de gestão de dados, com foco na criação de data warehouses integrados e práticas sólidas de governança informacional.
Esses esforços são essenciais para fortalecer a resiliência digital e apoiar decisões estratégicas.
7. Cultura de riscos e colaboração organizacional
A KPMG reforça que tecnologia, por si só, não é suficiente.
A construção de uma cultura organizacional orientada a riscos é um fator decisivo para lidar com o ambiente digital atual.
Isso envolve capacitar colaboradores, romper silos organizacionais e incentivar uma mentalidade de conscientização sobre riscos em todos os níveis da instituição.
Uma cultura de riscos madura permite aos bancos identificar ameaças emergentes rapidamente, questionar premissas estabelecidas e agir de forma proativa diante de cenários adversos.
Essa abordagem fortalece a confiança dos stakeholders e contribui para a resiliência de longo prazo.
8. Considerações finais
O relatório da KPMG deixa claro que os riscos digitais estão no centro da agenda estratégica das instituições financeiras.
Em um cenário marcado por disrupção tecnológica, complexidade regulatória e incerteza global, a gestão de riscos precisa evoluir para acompanhar a velocidade dos desafios atuais.
Mais do que mitigar ameaças, a gestão de riscos digitais deve apoiar a criação de valor, fortalecer a resiliência e sustentar a confiança no sistema financeiro.
Para isso, é fundamental integrar tecnologia, dados, pessoas e governança em um framework moderno, flexível e orientado ao futuro.
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Já o TPCRM automatizado com IA moderniza a gestão de riscos de terceiros, convertendo processos manuais em fluxos ágeis, padronizados e rastreáveis, com foco estratégico.
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