Global Risks Report 2026: principais insights sobre cybersecurity

Explore os insights do Global Risks Report 2026 sobre cibersegurança, as causas da expansão do risco digital e suas conexões com outras ameaças.

26 de Janeiro 2026 | 14:00

Aprox. 12 minutos de leitura.


O Global Risks Report 2026, publicado pelo World Economic Forum, retrata um mundo que entra na segunda metade da década em um estado de incerteza estrutural. 

Esse cenário é marcado por competição geoeconômica, fragmentação política, aceleração tecnológica e pelo enfraquecimento dos mecanismos tradicionais de cooperação internacional.

Nesse contexto, a cibersegurança deixa de ser um tema estritamente técnico e passa a ocupar um papel central na estabilidade econômica, social e geopolítica global.

Embora o relatório trate de 33 riscos globais interconectados, a insegurança cibernética (cyber insecurity) aparece de forma recorrente entre os riscos mais severos no curto, médio e longo prazo. 

Essa relevância se deve, especialmente, à sua relação direta com outros vetores críticos, como desinformação, infraestrutura crítica, inteligência artificial, conflitos entre Estados e desigualdade social.

Neste artigo, analisaremos os principais insights do Global Risks Report 2026 relacionados à cibersegurança.

Exploraremos por que o risco digital está crescendo, como ele se conecta a outras ameaças globais e o que isso significa para governos, empresas e a sociedade.

1. Um mundo mais competitivo e digitalmente vulnerável

O relatório define 2026 como o início de uma “era da competição”, onde a cooperação multilateral cede espaço à rivalidade entre blocos econômicos, grandes potências e alianças regionais. 

Esse novo cenário tem implicações diretas para o ambiente cibernético.

À medida que instrumentos econômicos, tecnológicos e digitais passam a ser usados como armas geopolíticas, o ciberespaço se consolida como um campo estratégico de disputa. 

Ataques cibernéticos, espionagem digital, sabotagem de infraestruturas críticas e operações de influência tornam-se ferramentas centrais de poder estatal e paraestatal.

Nesse contexto, o relatório posiciona a insegurança cibernética entre os dez principais riscos globais no horizonte de dois anos. 

Essa avaliação reflete a percepção de líderes e especialistas de que ciberataques deixaram de ser eventos excepcionais e passaram a representar ameaças sistêmicas e recorrentes.

2. Cibersegurança como risco sistêmico global

Um dos pontos mais relevantes do Global Risks Report 2026 é a forma como ele trata a cibersegurança não como um risco isolado, mas como um fator amplificador de crises. 

O mapa de interconexões de riscos apresentado no relatório mostra que a insegurança cibernética está fortemente conectada a:

  • Desinformação e manipulação de informações;
  • Disrupções de infraestrutura crítica;
  • Conflitos armados entre Estados;
  • Polarização social e erosão da confiança pública;
  • Concentração de tecnologias estratégicas;
  • Resultados adversos do uso da inteligência artificial.

Essa interdependência significa que falhas em segurança digital podem desencadear ou intensificar crises em outros domínios, como energia, saúde, finanças, transporte e serviços públicos.

Ataques cibernéticos contra redes elétricas, sistemas financeiros, cadeias de suprimentos ou plataformas de comunicação podem gerar impactos econômicos e sociais comparáveis aos de desastres naturais ou conflitos armados.

3. Infraestrutura crítica no centro da ameaça cibernética

O relatório dedica atenção especial à crescente vulnerabilidade da infraestrutura crítica, que inclui redes de energia e água, telecomunicações, transporte, sistemas financeiros e serviços governamentais.

A combinação de três fatores agrava esse cenário:

  1. Digitalização acelerada, muitas vezes sem investimentos proporcionais em segurança;
  2. Infraestruturas legadas, antigas e mal preparadas para ameaças modernas;
  3. Aumento da sofisticação dos ataques, incluindo ransomware, ataques a cadeias de suprimentos e exploração de vulnerabilidades zero-day.

A cibersegurança aparece, assim, como um elemento-chave da resiliência nacional e econômica. 

Países que não conseguem proteger suas infraestruturas digitais ficam mais expostos à coerção geopolítica, instabilidade social e perdas econômicas significativas.

4. Desinformação, cyber e erosão da confiança

Outro achado crítico do Global Risks Report 2026 é a centralidade da desinformação e da manipulação digital como riscos de curto prazo. 

Esse fenômeno está intimamente ligado à cibersegurança.

Ambientes digitais inseguros facilitam:

  • Vazamentos de dados usados para campanhas de influência;
  • Sequestro de contas e identidades digitais;
  • Uso de bots e redes coordenadas para amplificação de narrativas falsas;
  • Ataques a processos eleitorais e instituições democráticas.

A erosão da confiança pública, apontada como um risco societal crescente, é alimentada por falhas na governança digital e na proteção do ecossistema online. 

A cibersegurança, nesse sentido, torna-se um pilar da estabilidade democrática.

5. Inteligência artificial e novos riscos cibernéticos

O relatório aponta que os resultados adversos da inteligência artificial são o risco tecnológico que mais cresce quando se compara o curto e o longo prazo. 

Essa tendência tem implicações diretas para a cibersegurança.

A IA amplia o poder ofensivo e defensivo no ciberespaço:

  • Ataques tornam-se mais rápidos, personalizados e difíceis de detectar;
  • Deepfakes e conteúdos sintéticos elevam o impacto da desinformação.
  • Ferramentas automatizadas reduzem a barreira de entrada para cibercriminosos;
  • Sistemas críticos baseados em IA tornam-se novos alvos de exploração.

Ao mesmo tempo, a governança global da IA ainda é incipiente, e o relatório destaca a dificuldade de estabelecer regras comuns em um mundo fragmentado. 

Isso cria um vácuo regulatório que pode ser explorado por atores mal-intencionados.

6. Fragmentação global e falhas de governança cibernética

Um dos diagnósticos mais contundentes do Global Risks Report 2026 é o enfraquecimento do multilateralismo. 

Esse fenômeno afeta diretamente a capacidade global de lidar com ameaças cibernéticas.

A ausência de padrões internacionais sólidos para:

  • Responsabilização por ataques cibernéticos;
  • Compartilhamento de informações sobre ameaças;
  • Proteção de cadeias globais de suprimentos digitais;
  • Uso militar do ciberespaço. 

Essas lacunas dificultam respostas coordenadas entre países e aumentam significativamente o risco de escalada de conflitos entre Estados. 

Nesse cenário, a cibersegurança torna-se refém da lógica de competição geopolítica, em detrimento de abordagens cooperativas capazes de fortalecer a resiliência digital global.

7. Impactos para empresas e organizações

Para o setor privado, o relatório deixa claro que a cibersegurança já não pode ser tratada apenas como um tema de TI. 

Ela se insere diretamente na gestão de riscos corporativos, na continuidade dos negócios e na reputação das organizações.

Empresas enfrentam:

  • Aumento de ataques direcionados e ransomwares;
  • Maior exposição a riscos geopolíticos digitais;
  • Dependência de cadeias de suprimentos tecnológicas vulneráveis;
  • Pressões regulatórias crescentes.

Nesse contexto, o Global Risks Report 2026 reforça a necessidade de abordagens integradas de risco, que conectem cibersegurança, estratégia, compliance, governança e resiliência operacional.

8. Considerações finais

O Global Risks Report 2026 deixa uma mensagem clara: a cibersegurança é um dos pilares centrais da estabilidade global na próxima década. 

Em um mundo marcado por competição geoeconômica, aceleração tecnológica e polarização social, a segurança digital não é apenas um desafio técnico, mas um tema estratégico de primeira ordem.

Ciberataques, falhas de infraestrutura digital e uso malicioso de tecnologias emergentes têm o potencial de desencadear crises em cascata, afetando economias, governos e sociedades inteiras. 

Ao mesmo tempo, a fragmentação da governança global dificulta respostas coordenadas e aumenta o risco sistêmico.

Diante desse cenário, investir em cibersegurança significa investir em resiliência, confiança e capacidade de adaptação. 

Para as organizações, compreender os achados do Global Risks Report 2026 é um passo essencial para enfrentar um futuro em que o risco digital será cada vez mais determinante.


CONTEÚDOS RELACIONADOS

Acessar
19 de Janeiro 2024 Segurança Segurança

Como o Google Cloud Platform garante a segurança na nuvem?

Saiba como o Google Cloud Platform oferece recursos para desenvolver e gerenciar aplicativos na nuvem com flexibilidade e segurança.

Acessar
22 de Dezembro 2023 Segurança Segurança

Backups de rotina: uma estratégia essencial para a segurança empresarial

Descubra como backups de rotina protegem negócios contra perdas de dados, garantindo continuidade e confiança no mercado.