Cyber Security Report 2026: panorama dos achados da Check Point

Explore o Cyber Security Report 2026 da Check Point, incluindo tendências, padrões de ataque e insights práticos para fortalecer a segurança.

27 de Abril 2026 | 10:30

Aprox. 14 minutos de leitura.


O Cyber Security Report 2026, da Check Point, oferece uma visão abrangente sobre a evolução do cenário de ameaças cibernéticas.

O relatório mostra como atores maliciosos estão combinando múltiplas técnicas - de engenharia social a ransomware - para maximizar o impacto operacional e financeiro.

Neste artigo, apresentaremos uma análise detalhada dos principais achados do estudo.

Também exploraremos tendências, padrões de ataque e implicações práticas para organizações que buscam fortalecer sua postura de cibersegurança em 2026.

1. Um novo paradigma: ataques mais integrados e escaláveis

Um dos pontos centrais do relatório é a mudança estrutural no comportamento dos atacantes. 

Não se trata mais de campanhas isoladas ou vetores únicos de exploração. 

Em 2025, houve uma clara convergência entre técnicas, com ataques combinando:

  • Engenharia social avançada;
  • Abuso de identidade;
  • Exploração de exposições;
  • Automação baseada em IA;
  • Ransomware orientado a dados;

Essa convergência permitiu que invasores conectassem todas as etapas do ataque — acesso inicial, movimentação lateral e impacto — em operações altamente eficientes. 

Como destaca o relatório, houve uma aceleração significativa tanto na escala quanto na velocidade das campanhas, tornando a detecção e resposta ainda mais desafiadoras .

Outro fator crítico é o uso crescente de dispositivos de borda e infraestruturas expostas como pontos de entrada, reforçando a importância da gestão de superfície de ataque.

2. Engenharia social: o vetor dominante em 2025

Se há um consenso no relatório, é que o elo humano continua sendo o principal alvo. 

A engenharia social evoluiu significativamente, ultrapassando o tradicional phishing por e-mail e se tornando um modelo multicanal.

2.1. Do phishing ao ecossistema multicanal

Os ataques passaram a explorar:

  • Aplicativos de mensagens;
  • Redes sociais;
  • Chamadas telefônicas (vishing);
  • Plataformas corporativas como Teams e Slack;

Essa diversificação reduz a eficácia das defesas tradicionais baseadas em e-mail e amplia a superfície de ataque.

2.2. ClickFix: o usuário como executor do ataque

Uma das técnicas mais relevantes identificadas foi o ClickFix, que representa uma mudança estratégica: em vez de entregar malware diretamente, o atacante induz o usuário a executar ações maliciosas.

O funcionamento é simples e altamente eficaz:

  1. O usuário acessa um site comprometido;
  2. Recebe instruções aparentemente legítimas (ex: CAPTCHA ou correção de erro);
  3. Executa comandos que instalam o malware.

Essa técnica cresceu cerca de 500% em 2025 e esteve presente em quase metade das campanhas de malware analisadas .

Além disso, variantes como FileFix e ConsentFix expandiram o modelo para ambientes locais e cloud, incluindo abuso de fluxos OAuth para comprometimento de contas.

2.3. Engenharia social por voz: o novo padrão de ataques sofisticados

Outro destaque é o crescimento do vishing (voice phishing), que passou de fraudes simples para ataques corporativos altamente sofisticados.

Grupos como Scattered Spider utilizaram:

  • Reconhecimento prévio detalhado;
  • Scripts avançados;
  • Impersonação de suporte técnico.

Esses ataques foram responsáveis por incidentes de alto impacto, incluindo violações em grandes empresas com perdas financeiras significativas .

A principal vantagem desse método é a exploração direta da confiança humana, muitas vezes contornando controles técnicos como MFA.

3. Ransomware em 2025: crescimento recorde e evolução do modelo

O ransomware continua sendo uma das maiores ameaças, mas com mudanças importantes em sua dinâmica.

3.1. Crescimento sem precedentes

O relatório aponta que:

  • Mais de 7.960 vítimas foram publicadas em sites de vazamento;
  • Houve um aumento de 53% ano a ano;
  • O primeiro trimestre registrou crescimento de 134%.

Esses números evidenciam que, apesar dos esforços de combate, o modelo continua altamente lucrativo e resiliente.

3.2. Fragmentação e recomposição do ecossistema

Durante 2025, houve:

  • Queda de grandes grupos RaaS;
  • Surgimento de dezenas de novos atores menores;
  • Posterior reconsolidação em grandes players.

Esse ciclo demonstra a adaptabilidade do ecossistema, dificultando ações de disrupção.

3.3. Qilin: o protagonista do ano

O grupo Qilin emergiu como o principal operador de ransomware, com mais de 1.000 vítimas publicadas. 

Seu sucesso se deve a:

  • Recrutamento agressivo de afiliados;
  • Plataforma RaaS robusta;
  • Alto percentual de lucro (até 85%).

Além disso, o grupo incorporou elementos de automação e análise de dados roubados para aumentar a pressão sobre as vítimas.

3.4. Extorsão orientada a dados

O modelo atual vai além da criptografia. 

O foco está em:

  • Exfiltração de dados;
  • Ameaças regulatórias;
  • Danos reputacionais.

Em muitos casos, o valor da extorsão está mais ligado à exposição dos dados do que à recuperação dos sistemas.

3.5. Estudo de caso: um ataque real de ransomware Qilin

O relatório apresenta um estudo detalhado de um ataque conduzido por afiliados do Qilin, revelando falhas comuns que continuam sendo exploradas.

3.5.1. Principais falhas identificadas

O ataque não envolveu zero-days

Ele foi possível devido a:

  • Uso de conta privilegiada sem MFA;
  • Acesso via dispositivo não monitorado BYOD;
  • Falta de visibilidade e monitoramento;
  • Ausência de backups adequados.

3.5.2. Linha do ataque

  1. Comprometimento de credenciais;
  2. Acesso via VPN com privilégios elevados;
  3. Reconhecimento da rede;
  4. Movimentação lateral silenciosa;
  5. Exfiltração de dados;
  6. Destruição de backups;
  7. Criptografia final.

O mais alarmante é o tempo de permanência: os atacantes ficaram mais de um mês dentro do ambiente sem serem detectados.

3.5.3. Lição principal

O relatório reforça que falhas de governança e controle são, na prática, vulnerabilidades técnicas. 

Segurança não é apenas tecnologia, mas também disciplina operacional.

4. IA como multiplicador de ameaças

A inteligência artificial aparece no relatório como um elemento central na evolução das ameaças.

Seu uso inclui:

  • Geração de campanhas de engenharia social mais convincentes;
  • Automação de ataques;
  • Análise de dados roubados;
  • Apoio à negociação de ransomware.

A IA reduz a barreira de entrada para atacantes e aumenta significativamente a escala das operações.

5. Ciberoperações em conflitos: impacto além do digital

Outro ponto relevante do relatório é o papel da cibersegurança em conflitos geopolíticos.

Em 2025, operações cibernéticas foram utilizadas para:

  • Reconhecimento e espionagem;
  • Suporte a operações militares;
  • Ataques diretos à infraestrutura;
  • Manipulação de narrativa e desinformação.

Essas ações não ocorrem isoladamente, mas integradas a estratégias militares e políticas.

5.1. Quatro funções principais

O relatório categoriza essas operações em:

  1. Posicionamento: acesso e preparação;
  2. Suporte operacional: inteligência em tempo real;
  3. Efeito direto: interrupção de serviços;
  4. Controle de narrativa: influência psicológica.

Esse modelo mostra que o impacto da cibersegurança vai muito além da TI, afetando diretamente a estabilidade social e política.

6. Tendências de cibersegurança para 2026

Com base nos dados apresentados pelo Cyber Security Report 2026, algumas tendências se destacam para 2026:

  1. Crescimento contínuo da engenharia social: com o apoio da IA, ataques serão mais personalizados e difíceis de detectar;
  2. Expansão do modelo de extorsão: a pressão sobre vítimas será cada vez mais baseada em dados e compliance;
  3. Maior exploração de identidade: credenciais e acessos continuarão sendo o principal vetor de ataque;
  4. Aumento da superfície de ataque: dispositivos IoT, edge e ambientes híbridos ampliarão riscos;
  5. Segurança orientada a exposição: a priorização de riscos baseada em exposição real será essencial.

7. Recomendações estratégicas de cibersegurança

Diante desse cenário, o relatório sugere uma mudança de abordagem:

  • Foco em identidade: implementar MFA robusto e controlar acessos privilegiados;
  • Visibilidade e monitoramento: expandir telemetria e integrar logs e SIEM;
  • Gestão de exposição: identificar ativos expostos e priorizar correções com base em risco;
  • Preparação para incidentes: desenvolver playbooks e testar respostas regularmente;
  • Educação contínua: treinar usuários para engenharia social e simular ataques realistas.

8. Considerações finais

O Cyber Security Report 2026 deixa claro que a cibersegurança entrou em uma nova fase: mais integrada, mais estratégica e com impactos diretos no negócio.

Ataques não são mais eventos isolados, mas campanhas estruturadas que exploram falhas humanas, técnicas e organizacionais de forma coordenada. 

A combinação de engenharia social, IA e modelos avançados de extorsão cria um cenário onde a prevenção tradicional já não é suficiente.

Para 2026, organizações que desejam manter-se resilientes precisarão ir além da proteção perimetral, adotando uma abordagem centrada em identidade, visibilidade e gestão contínua de exposição.

Em última análise, o maior desafio não é apenas tecnológico, mas operacional e estratégico.


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