NIST Cybersecurity Framework (CSF) 2.0: um panorama geral

Explore os objetivos, princípios, componentes e as principais formas de utilização do NIST Cybersecurity Framework (CSF) 2.0 pelas organizações.

23 de Fevereiro 2026 | 15:00

Aprox. 13 minutos de leitura.


O NIST Cybersecurity Framework (CSF) é um dos modelos mais adotados globalmente e amplamente utilizado como referência de boas práticas em gestão de riscos.

Com o lançamento do CSF 2.0, o NIST ampliou o escopo do framework, atualizou conceitos e fortaleceu a governança de riscos cibernéticos.

Embora não seja um requisito legal no Brasil, o CSF 2.0 é aplicado como base estratégica por organizações públicas e privadas, conectando exigências locais a práticas globais.

Neste artigo, apresentaremos um panorama geral do NIST CSF 2.0.

Abordaremos seus objetivos, princípios, componentes, novidades em relação à versão anterior e as principais formas de utilização pelas organizações.

1. O que é o NIST Cybersecurity Framework

O NIST Cybersecurity Framework é um conjunto de diretrizes voluntárias desenvolvido para ajudar organizações a gerenciar riscos de cibersegurança de forma estruturada e consistente. 

Diferentemente de normas prescritivas, o CSF não define controles obrigatórios nem impõe requisitos técnicos específicos. 

Em vez disso, ele fornece uma linguagem comum e uma taxonomia de resultados desejados de cibersegurança, permitindo às organizações adaptar o framework às suas realidades.

O CSF pode ser aplicado por empresas privadas, órgãos governamentais, organizações sem fins lucrativos e instituições acadêmicas, independentemente do nível de maturidade em segurança. 

Seu foco está na gestão de riscos, na comunicação entre áreas técnicas e executivas e no alinhamento da cibersegurança com os objetivos estratégicos.

1.1. A evolução para o NIST CSF 2.0

A versão 2.0 do NIST CSF surge como resposta direta à evolução do ambiente digital e à ampliação do papel da cibersegurança dentro das organizações. 

Enquanto a versão original tinha forte foco em infraestruturas críticas, o CSF 2.0 amplia explicitamente sua aplicabilidade para qualquer tipo de organização, reforçando que o risco cibernético é, essencialmente, um risco de negócio.

Além disso, o CSF 2.0 incorpora conceitos mais maduros de governança, cadeia de suprimentos, gestão de terceiros e integração com outras normas internacionais. 

A atualização também reflete a necessidade de lidar com ambientes híbridos, computação em nuvem, serviços gerenciados e ecossistemas digitais complexos.

1.2. Objetivos do NIST Cybersecurity Framework

O NIST CSF 2.0 foi concebido com alguns objetivos centrais:

  • Ajudar organizações a entender, avaliar e priorizar riscos de cibersegurança;
  • Facilitar a comunicação sobre segurança cibernética entre equipes técnicas, liderança executiva e partes interessadas externas;
  • Apoiar a tomada de decisão baseada em risco, conectando segurança aos objetivos estratégicos;
  • Servir como base para programas de cibersegurança, independentemente do nível de maturidade;
  • Promover a melhoria contínua da postura de segurança.

Esses objetivos reforçam o papel do NIST

 CSF como uma ferramenta estratégica, e não apenas operacional.

2. Estrutura do NIST CSF 2.0

O NIST CSF 2.0 mantém a estrutura conceitual que tornou o framework amplamente aceito, ao mesmo tempo em que introduz ajustes importantes. 

Seus principais componentes são: Funções, Categorias, Subcategorias, Perfis e Níveis de Implementação.

A seguir, abordamos cada um desses componentes.

2.1. Funções do NIST CSF 2.0

Uma das principais mudanças do CSF 2.0 é a introdução explícita da função Govern (Governar), elevando o total de funções de cinco para seis. 

As funções representam os grandes grupos de resultados de cibersegurança e fornecem uma visão de alto nível da gestão de riscos.

As funções do CSF 2.0 são:

  1. Govern (Governar): focada em estabelecer e monitorar a estratégia, políticas, processos e responsabilidades relacionadas à gestão de riscos cibernéticos. Essa função conecta diretamente a cibersegurança à governança corporativa, à gestão de riscos organizacionais e à conformidade regulatória;
  2. Identify (Identificar): trata da compreensão do ambiente organizacional, dos ativos, das dependências e dos riscos associados. Inclui inventário de ativos, análise de impacto, gestão de riscos e entendimento da cadeia de suprimentos;
  3. Protect (Proteger): envolve a implementação de salvaguardas para assegurar a entrega de serviços críticos. Inclui controles de acesso, conscientização, proteção de dados, segurança de sistemas e tecnologias de proteção;
  4. Detect (Detectar): diz respeito à capacidade de identificar eventos de cibersegurança de forma oportuna. Abrange monitoramento contínuo, detecção de anomalias e eventos, além de processos de análise;
  5. Respond (Responder): foca nas ações tomadas após a detecção de um incidente, incluindo resposta a incidentes, comunicação, mitigação e melhorias a partir de lições aprendidas;
  6. Recover (Recuperar): relacionada à restauração de capacidades e serviços afetados por incidentes cibernéticos. Inclui planos de recuperação, resiliência operacional e comunicação pós-incidente.

A adição da função Govern reforça a visão de que a cibersegurança deve ser liderada e supervisionada em nível estratégico.

2.2. Categorias e subcategorias 

Cada função é dividida em categorias, que representam áreas específicas de resultados de cibersegurança, e subcategorias, que detalham esses resultados de forma mais granular. 

As subcategorias descrevem o que deve ser alcançado, mas não como implementar tecnicamente os controles.

Essa abordagem orientada a resultados permite flexibilidade e facilita a integração do CSF com outras normas, como ISO/IEC 27001, NIST SP 800-53 etc.

2.3. Perfis do do NIST CSF 2.0

Os Perfis são um dos elementos mais práticos do NIST CSF 2.0. 

Um perfil representa o alinhamento entre os resultados de cibersegurança desejados e a realidade da organização. 

Em geral, são definidos dois tipos principais:

  • Perfil Atual (Current Profile): descreve o estado atual da postura de cibersegurança;
  • Perfil Alvo (Target Profile): define o estado desejado, considerando objetivos de negócio e tolerância a risco.

A comparação entre esses perfis permite identificar lacunas, priorizar iniciativas e construir roadmaps de segurança baseados em risco.

2.4. Níveis de implementação do NIST 

Os Níveis de Implementação (Implementation Tiers) ajudam a contextualizar como a organização gerencia riscos de cibersegurança. 

Eles não representam níveis de maturidade obrigatórios, mas sim características da abordagem de gestão de riscos.

De forma geral, os níveis variam desde uma abordagem mais reativa e informal até uma gestão de riscos adaptativa, integrada e continuamente aprimorada. 

Cada organização pode utilizar esses níveis para refletir sobre sua postura atual e definir estratégias de evolução.

3. Benefícios do uso do NIST CSF 2.0

Entre os principais benefícios da adoção do NIST Cybersecurity Framework 2.0, destacam-se:

  • Visão estruturada e orientada a risco da cibersegurança: o CSF 2.0 permite compreender o risco cibernético de forma holística, conectando ativos, ameaças, impactos e prioridades de negócio;
  • Melhor comunicação entre áreas técnicas, executivas e conselho: o framework fornece uma linguagem comum que facilita o diálogo entre especialistas técnicos e tomadores de decisão;
  • Apoio à priorização de investimentos em segurança: ao focar em resultados e riscos, o NIST CSF ajuda a direcionar recursos para onde há maior impacto;
  • Flexibilidade para diferentes níveis de maturidade: pode ser adotado tanto por organizações iniciantes quanto por ambientes mais maduros;
  • Alinhamento entre cibersegurança, estratégia e governança: integra segurança aos objetivos estratégicos e à gestão corporativa;
  • Suporte à resiliência cibernética e operacional: fortalece a capacidade de prevenir, responder e se recuperar de incidentes.

4. NIST CSF 2.0 e gestão da cadeia de suprimentos

Um dos principais avanços do CSF 2.0 é o fortalecimento do Cyber Supply Chain Risk Management (C-SCRM), reconhecendo fornecedores e parceiros como fontes de risco cibernético.

O framework pressupõe que os riscos digitais extrapolam os limites organizacionais, abrangendo terceiros que influenciam diretamente a confidencialidade, integridade e disponibilidade dos serviços.

Nesse contexto, o CSF 2.0 incentiva a avaliação contínua de riscos de terceiros, considerando dependências tecnológicas, acesso a dados sensíveis e impactos ao negócio.

Também promove a definição clara de requisitos mínimos de segurança para fornecedores, alinhados às políticas internas e à estratégia de gestão de riscos da organização.

O monitoramento contínuo da postura de segurança de terceiros é outro ponto central, permitindo identificar mudanças no nível de risco ao longo do relacionamento contratual.

Ao integrar a cadeia de suprimentos à governança de cibersegurança, o CSF 2.0 fortalece a resiliência frente a incidentes originados fora do ambiente organizacional.

5. Considerações finais

O NIST Cybersecurity Framework 2.0 consolida-se como uma evolução natural de um dos frameworks mais relevantes da cibersegurança moderna. 

Ao ampliar seu escopo, reforçar a governança e aprofundar a gestão de riscos, o CSF 2.0 responde aos desafios do ambiente digital contemporâneo.

No contexto brasileiro, sua relevância é evidente. 

Embora não seja uma norma obrigatória ou certificável, o CSF 2.0 é amplamente utilizado como referência estratégica para a estruturação de programas de cibersegurança.

Ele também apoia a conformidade com a LGPD e a integração do risco cibernético à gestão de riscos corporativos.

Sua flexibilidade permite que organizações de diferentes portes e setores adaptem o framework às suas realidades.

Mais do que um conjunto de boas práticas técnicas, o CSF 2.0 deve ser visto como uma ferramenta de comunicação e alinhamento estratégico. 

Para organizações no Brasil que buscam maturidade e resiliência, ele representa um ponto de partida sólido e adaptável.


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