Gestão de riscos de terceiros: menos alertas e mais visibilidade

Entenda como fragmentação de ferramentas e falta de visibilidade afetam a gestão de riscos de terceiros e por que integrar SOC e TPCRM é crucial.

06 de Janeiro 2026 | 13:20

Aprox. 12 minutos de leitura.


Em 2025, muitas organizações aceleraram investimentos em ferramentas de cibersegurança, mas o resultado foi um cenário paradoxal: muitos alertas e pouca visão real de risco. 

Soluções isoladas e processos reativos aumentaram o volume de informações, sem necessariamente gerar inteligência acionável.

Paralelamente, o avanço da transformação digital expandiu a superfície de ataque das empresas. 

Hoje, o risco já não está apenas dentro das organizações, mas nos acessos concedidos a terceiros, como fornecedores, parceiros e plataformas integradas ao ecossistema digital.

Esse desafio é agravado pelo endurecimento das exigências regulatórias, como a LGPD e normas setoriais, que exigem visibilidade contínua, governança e resposta eficaz a incidentes

Nesse contexto, a gestão de riscos de terceiros deixa de ser apenas um componente da cibersegurança e se torna um pilar estratégico do negócio.

Neste artigo, exploraremos como a fragmentação de ferramentas, a fadiga de alertas e a falta de inteligência integrada impactam diretamente a maturidade da gestão de riscos de terceiros.

Também abordaremos por que a convergência entre SOC e TPCRM (Third-Party Cyber Risk Management) é fundamental para evoluir para um modelo de cibersegurança verdadeiramente eficiente.

1. A nova realidade do risco: o problema não está apenas “dentro de casa”

Durante muitos anos, a cibersegurança concentrou seus esforços quase exclusivamente na proteção do perímetro interno: redes corporativas, endpoints, servidores e aplicações próprias. 

Esse modelo fazia sentido em um mundo mais fechado, com menos integrações e dependências externas.

Hoje, a realidade é outra, com grande parte dos incidentes de segurança mais relevantes dos últimos anos tendo origem em terceiros.

Seja por meio de fornecedores comprometidos, cadeias de suprimentos vulneráveis, acessos excessivos concedidos a parceiros ou falhas de governança em integrações críticas.

Isso significa que não basta proteger apenas o que é interno. 

É necessário compreender, monitorar e gerenciar continuamente os riscos que residem fora da organização, mas que impactam diretamente seus dados, sistemas e operações.

2. Fragmentação de ferramentas de cibersegurança: quando mais soluções geram menos controle

Um dos principais obstáculos para uma gestão eficaz de riscos de terceiros é a fragmentação do ecossistema de cibersegurança. 

Ao longo dos anos, muitas empresas foram adicionando ferramentas para resolver problemas específicos:

  • Uma solução para avaliação de fornecedores;
  • Outra para conformidade regulatória;
  • Ferramentas de monitoramento técnico;
  • Sistemas isolados de gestão de incidentes;
  • Dashboards independentes para risco, auditoria e compliance.

O resultado é um ambiente com múltiplas fontes de dados, pouca integração e grande dependência de processos manuais para consolidar informações.

Essa fragmentação gera impactos diretos:

  • Visão parcial do risco real;
  • Dificuldade de correlacionar eventos técnicos com contexto de negócio;
  • Retrabalho constante entre equipes;
  • Baixa rastreabilidade para auditorias;
  • Decisões baseadas em dados incompletos

No caso específico da gestão de terceiros, isso é ainda mais crítico. 

Um alerta técnico isolado pode parecer irrelevante até ser correlacionado com o fato de que aquele fornecedor possui acesso privilegiado a sistemas ou dados críticos.

Sem integração, o risco cibernético permanece invisível.

3. Falta de visibilidade e fadiga de alertas: quando o excesso paralisa

Outro efeito colateral direto da fragmentação é a chamada fadiga de alertas. 

Em ambientes complexos, equipes de cibersegurança lidam diariamente com milhares de notificações, alertas e eventos, muitos deles falsos positivos ou de baixa relevância.

Esse cenário cria três problemas graves:

  1. Perda de foco no que realmente importa: quando tudo parece crítico, nada é realmente prioritário. Alertas deixam de ser analisados com profundidade e passam a ser tratados de forma mecânica;
  2. Sobrecarga das equipes: analistas passam mais tempo reagindo a eventos do que investigando causas, melhorando controles ou antecipando riscos;
  3. Decisões tardias ou equivocadas: sem contexto, alertas não se transformam em inteligência acionável. Incidentes relevantes podem ser ignorados ou detectados tarde demais.

Na gestão de riscos de terceiros, a situação se agrava. 

Muitas organizações avaliam fornecedores apenas em momentos pontuais — como no onboarding ou em auditorias periódicas — sem monitoramento contínuo. 

Assim, mudanças no perfil de risco passam despercebidas até que um incidente cibernético já tenha ocorrido.

Visibilidade não é quantidade de alertas.

Visibilidade é a capacidade de compreender o risco no tempo certo e no contexto certo.

4. Por que a gestão tradicional de terceiros já não é suficiente

Modelos tradicionais de TPCRM, baseados em questionários extensos, planilhas e revisões manuais, não acompanham a velocidade do cenário atual. 

Eles apresentam limitações claras:

  • Avaliações estáticas em um ambiente dinâmico;
  • Alto esforço operacional;
  • Dependência excessiva de autoavaliações;
  • Pouca integração com dados técnicos e operacionais;
  • Baixa capacidade de resposta a incidentes cibernéticos.

Além disso, esses modelos costumam estar desconectados das operações de segurança. 

O risco de terceiros fica restrito a relatórios de compliance, enquanto o SOC lida com eventos técnicos sem o contexto de negócio e governança.

Essa desconexão é hoje um dos principais gargalos para a evolução da maturidade em cibersegurança das empresas.

5. A necessidade de inteligência integrada: SOC + TPCRM

Para superar esses desafios, é fundamental evoluir de um modelo fragmentado para um modelo de inteligência integrada, onde operações de segurança e gestão de riscos de terceiros atuam de forma coordenada.

A integração entre SOC e TPCRM permite:

  • Correlacionar alertas técnicos com fornecedores específicos;
  • Priorizar incidentes com base em impacto de negócio;
  • Monitorar riscos de terceiros de forma contínua;
  • Automatizar respostas e fluxos de governança;
  • Transformar dados em decisões estratégicas.

Em vez de tratar alertas isoladamente, a organização passa a enxergar cenários de risco completos, considerando:

  • Nível de criticidade do fornecedor;
  • Tipo de acesso concedido;
  • Dados envolvidos;
  • Histórico de incidentes;
  • Exigências regulatórias associadas.

Esse modelo reduz drasticamente ruídos e aumenta a eficiência operacional.

6. Menos alertas, mais contexto: o papel da automação e da IA

A automação, aliada à inteligência artificial, desempenha um papel central nesse novo paradigma. 

Ela permite:

  • Redução de falsos positivos;
  • Priorização automática de riscos;
  • Correlação entre eventos técnicos e dados de governança;
  • Atualização contínua do perfil de risco de terceiros;
  • Geração de insights acionáveis para diferentes níveis da organização.

O objetivo não é substituir o fator humano, mas potencializar a capacidade das equipes, liberando tempo para análise estratégica, melhoria contínua e tomada de decisão.

7. Governança contínua e conformidade em um cenário regulatório mais rígido

Outro fator que reforça a necessidade de integração é o aumento das exigências regulatórias. 

Leis como a LGPD, além de normas setoriais e frameworks internacionais, exigem:

  • Evidências claras de gestão de riscos;
  • Monitoramento contínuo de terceiros;
  • Trilhas de auditoria bem definidas;
  • Capacidade de resposta a incidentes envolvendo parceiros.

Sem visibilidade integrada, atender a essas exigências se torna caro, lento e arriscado.

A gestão moderna de riscos de terceiros precisa ser contínua, auditável e orientada a dados, não apenas documental.

8. Considerações finais

A gestão de riscos de terceiros deixou de ser um exercício pontual de conformidade para se tornar um elemento central da estratégia de cibersegurança e do próprio negócio.

Em ecossistemas altamente interconectados, a maturidade organizacional depende da capacidade de reduzir ruído, priorizar riscos críticos e manter visibilidade contínua além do perímetro tradicional.

Menos alertas irrelevantes e mais inteligência acionável são o que permite transformar dados dispersos em decisões assertivas.

Isso exige a superação de modelos fragmentados, da fadiga de alertas e da desconexão entre áreas, através de automação, governança contínua e integração SOC/TPCRM.

No fim, organizações resilientes não são aquelas que recebem mais alertas, mas as que conseguem enxergar melhor, compreender o contexto e agir estrategicamente.

Em gestão de riscos de terceiros, visibilidade não é apenas eficiência operacional, é segurança, continuidade e vantagem competitiva.

Entre em contato conosco e solicite um diagnóstico estratégico de TPCRM para avaliar a maturidade da sua gestão de terceiros, ampliar a visibilidade e reduzir riscos de forma contínua.


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