Em 2025, muitas organizações aceleraram investimentos em ferramentas de cibersegurança, mas o resultado foi um cenário paradoxal: muitos alertas e pouca visão real de risco.
Soluções isoladas e processos reativos aumentaram o volume de informações, sem necessariamente gerar inteligência acionável.
Paralelamente, o avanço da transformação digital expandiu a superfície de ataque das empresas.
Hoje, o risco já não está apenas dentro das organizações, mas nos acessos concedidos a terceiros, como fornecedores, parceiros e plataformas integradas ao ecossistema digital.
Esse desafio é agravado pelo endurecimento das exigências regulatórias, como a LGPD e normas setoriais, que exigem visibilidade contínua, governança e resposta eficaz a incidentes.
Nesse contexto, a gestão de riscos de terceiros deixa de ser apenas um componente da cibersegurança e se torna um pilar estratégico do negócio.
Neste artigo, exploraremos como a fragmentação de ferramentas, a fadiga de alertas e a falta de inteligência integrada impactam diretamente a maturidade da gestão de riscos de terceiros.
Também abordaremos por que a convergência entre SOC e TPCRM (Third-Party Cyber Risk Management) é fundamental para evoluir para um modelo de cibersegurança verdadeiramente eficiente.
1. A nova realidade do risco: o problema não está apenas “dentro de casa”
Durante muitos anos, a cibersegurança concentrou seus esforços quase exclusivamente na proteção do perímetro interno: redes corporativas, endpoints, servidores e aplicações próprias.
Esse modelo fazia sentido em um mundo mais fechado, com menos integrações e dependências externas.
Hoje, a realidade é outra, com grande parte dos incidentes de segurança mais relevantes dos últimos anos tendo origem em terceiros.
Seja por meio de fornecedores comprometidos, cadeias de suprimentos vulneráveis, acessos excessivos concedidos a parceiros ou falhas de governança em integrações críticas.
Isso significa que não basta proteger apenas o que é interno.
É necessário compreender, monitorar e gerenciar continuamente os riscos que residem fora da organização, mas que impactam diretamente seus dados, sistemas e operações.
2. Fragmentação de ferramentas de cibersegurança: quando mais soluções geram menos controle
Um dos principais obstáculos para uma gestão eficaz de riscos de terceiros é a fragmentação do ecossistema de cibersegurança.
Ao longo dos anos, muitas empresas foram adicionando ferramentas para resolver problemas específicos:
- Uma solução para avaliação de fornecedores;
- Outra para conformidade regulatória;
- Ferramentas de monitoramento técnico;
- Sistemas isolados de gestão de incidentes;
- Dashboards independentes para risco, auditoria e compliance.
O resultado é um ambiente com múltiplas fontes de dados, pouca integração e grande dependência de processos manuais para consolidar informações.
Essa fragmentação gera impactos diretos:
- Visão parcial do risco real;
- Dificuldade de correlacionar eventos técnicos com contexto de negócio;
- Retrabalho constante entre equipes;
- Baixa rastreabilidade para auditorias;
- Decisões baseadas em dados incompletos
No caso específico da gestão de terceiros, isso é ainda mais crítico.
Um alerta técnico isolado pode parecer irrelevante até ser correlacionado com o fato de que aquele fornecedor possui acesso privilegiado a sistemas ou dados críticos.
Sem integração, o risco cibernético permanece invisível.
3. Falta de visibilidade e fadiga de alertas: quando o excesso paralisa
Outro efeito colateral direto da fragmentação é a chamada fadiga de alertas.
Em ambientes complexos, equipes de cibersegurança lidam diariamente com milhares de notificações, alertas e eventos, muitos deles falsos positivos ou de baixa relevância.
Esse cenário cria três problemas graves:
- Perda de foco no que realmente importa: quando tudo parece crítico, nada é realmente prioritário. Alertas deixam de ser analisados com profundidade e passam a ser tratados de forma mecânica;
- Sobrecarga das equipes: analistas passam mais tempo reagindo a eventos do que investigando causas, melhorando controles ou antecipando riscos;
- Decisões tardias ou equivocadas: sem contexto, alertas não se transformam em inteligência acionável. Incidentes relevantes podem ser ignorados ou detectados tarde demais.
Na gestão de riscos de terceiros, a situação se agrava.
Muitas organizações avaliam fornecedores apenas em momentos pontuais — como no onboarding ou em auditorias periódicas — sem monitoramento contínuo.
Assim, mudanças no perfil de risco passam despercebidas até que um incidente cibernético já tenha ocorrido.
Visibilidade não é quantidade de alertas.
Visibilidade é a capacidade de compreender o risco no tempo certo e no contexto certo.
4. Por que a gestão tradicional de terceiros já não é suficiente
Modelos tradicionais de TPCRM, baseados em questionários extensos, planilhas e revisões manuais, não acompanham a velocidade do cenário atual.
Eles apresentam limitações claras:
- Avaliações estáticas em um ambiente dinâmico;
- Alto esforço operacional;
- Dependência excessiva de autoavaliações;
- Pouca integração com dados técnicos e operacionais;
- Baixa capacidade de resposta a incidentes cibernéticos.
Além disso, esses modelos costumam estar desconectados das operações de segurança.
O risco de terceiros fica restrito a relatórios de compliance, enquanto o SOC lida com eventos técnicos sem o contexto de negócio e governança.
Essa desconexão é hoje um dos principais gargalos para a evolução da maturidade em cibersegurança das empresas.
5. A necessidade de inteligência integrada: SOC + TPCRM
Para superar esses desafios, é fundamental evoluir de um modelo fragmentado para um modelo de inteligência integrada, onde operações de segurança e gestão de riscos de terceiros atuam de forma coordenada.
A integração entre SOC e TPCRM permite:
- Correlacionar alertas técnicos com fornecedores específicos;
- Priorizar incidentes com base em impacto de negócio;
- Monitorar riscos de terceiros de forma contínua;
- Automatizar respostas e fluxos de governança;
- Transformar dados em decisões estratégicas.
Em vez de tratar alertas isoladamente, a organização passa a enxergar cenários de risco completos, considerando:
- Nível de criticidade do fornecedor;
- Tipo de acesso concedido;
- Dados envolvidos;
- Histórico de incidentes;
- Exigências regulatórias associadas.
Esse modelo reduz drasticamente ruídos e aumenta a eficiência operacional.
6. Menos alertas, mais contexto: o papel da automação e da IA
A automação, aliada à inteligência artificial, desempenha um papel central nesse novo paradigma.
Ela permite:
- Redução de falsos positivos;
- Priorização automática de riscos;
- Correlação entre eventos técnicos e dados de governança;
- Atualização contínua do perfil de risco de terceiros;
- Geração de insights acionáveis para diferentes níveis da organização.
O objetivo não é substituir o fator humano, mas potencializar a capacidade das equipes, liberando tempo para análise estratégica, melhoria contínua e tomada de decisão.
7. Governança contínua e conformidade em um cenário regulatório mais rígido
Outro fator que reforça a necessidade de integração é o aumento das exigências regulatórias.
Leis como a LGPD, além de normas setoriais e frameworks internacionais, exigem:
- Evidências claras de gestão de riscos;
- Monitoramento contínuo de terceiros;
- Trilhas de auditoria bem definidas;
- Capacidade de resposta a incidentes envolvendo parceiros.
Sem visibilidade integrada, atender a essas exigências se torna caro, lento e arriscado.
A gestão moderna de riscos de terceiros precisa ser contínua, auditável e orientada a dados, não apenas documental.
8. Considerações finais
A gestão de riscos de terceiros deixou de ser um exercício pontual de conformidade para se tornar um elemento central da estratégia de cibersegurança e do próprio negócio.
Em ecossistemas altamente interconectados, a maturidade organizacional depende da capacidade de reduzir ruído, priorizar riscos críticos e manter visibilidade contínua além do perímetro tradicional.
Menos alertas irrelevantes e mais inteligência acionável são o que permite transformar dados dispersos em decisões assertivas.
Isso exige a superação de modelos fragmentados, da fadiga de alertas e da desconexão entre áreas, através de automação, governança contínua e integração SOC/TPCRM.
No fim, organizações resilientes não são aquelas que recebem mais alertas, mas as que conseguem enxergar melhor, compreender o contexto e agir estrategicamente.
Em gestão de riscos de terceiros, visibilidade não é apenas eficiência operacional, é segurança, continuidade e vantagem competitiva.
Entre em contato conosco e solicite um diagnóstico estratégico de TPCRM para avaliar a maturidade da sua gestão de terceiros, ampliar a visibilidade e reduzir riscos de forma contínua.
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