Botnets: definição, funcionamento e táticas de proteção

Entenda o que são botnets, como operam, se formam, exemplos reais e práticas essenciais para proteger organizações contra ataques.

04 de Maio 2026 | 11:40

Aprox. 15 minutos de leitura.


No cenário digital contemporâneo, as botnets — redes de dispositivos infectados controlados remotamente — destacam-se como uma das ciberameaças mais perigosas e difíceis de combater.

Neste artigo, exploraremos de forma detalhada o conceito de botnets, seu funcionamento, estrutura e exemplos amplamente conhecidos.

Também abordaremos as melhores práticas que as organizações devem adotar para se proteger contra essa ameaça.

1. O que é uma botnet?

O termo botnet vem da junção das palavras “robot” (robô) e “network” (rede). 

Uma botnet é uma rede de dispositivos infectados por malware que passam a ser controlados remotamente por um atacante, sem o conhecimento dos seus proprietários.

Esses dispositivos — que podem incluir computadores, servidores, câmeras IP, roteadores, impressoras e até dispositivos IoT como smart TVs — tornam-se “zumbis” (ou bots), executando tarefas automatizadas sob comando de um agente malicioso.

Botnets podem variar de tamanho, indo de alguns milhares até milhões de dispositivos comprometidos. 

Quanto maior a rede, maior o poder de ataque e o impacto potencial.

2. Como funciona uma botnet?

O funcionamento de uma botnet pode ser comparado a uma rede distribuída de computadores que trabalham de forma coordenada, mas independente. 

Cada dispositivo infectado executa comandos específicos enviados por um servidor central de controle, conhecido como Command and Control (C&C).

Esses comandos podem incluir:

  • Envio massivo de spam;
  • Ataques a servidores;
  • Roubo de dados;
  • Execução de fraudes digitais.

Um ponto importante é que essas atividades ocorrem em segundo plano, sem que o usuário perceba. 

Para que o bot funcione, o dispositivo precisa apenas estar ligado e conectado à internet.

3. Como uma botnet é formada?

A criação de uma botnet ocorre por meio de um processo bem definido.

A seguir, apresentamos suas quatro principais etapas.

3.1. Infecção inicial

A primeira fase envolve a infecção de dispositivos vulneráveis. 

Isso pode acontecer de diversas formas:

  • Acesso a sites maliciosos;
  • Downloads de arquivos infectados;
  • Anexos de e-mail com malware;
  • Instalação de programas aparentemente legítimos (com trojans embutidos).

Softwares maliciosos utilizam mecanismos automatizados para escanear a internet em busca de falhas de segurança, explorando sistemas desatualizados ou mal configurados.

3.2. Transformação em “zumbi”

Uma vez infectado, o dispositivo passa a ser controlado remotamente. 

Nesse momento, ele se torna parte da botnet, executando tarefas sem o consentimento do usuário.

O usuário normalmente não percebe essa mudança, o que torna a ameaça ainda mais perigosa.

3.3. Conexão ao servidor de controle (C&C)

Os bots infectados se conectam a servidores de comando e controle, que são responsáveis por enviar instruções e coordenar as ações da rede.

Tradicionalmente, muitos botnets utilizam protocolos como IRC (Internet Relay Chat), embora hoje existam métodos mais avançados e difíceis de detectar.

3.4. Expansão da rede

Uma característica importante das botnets é sua capacidade de propagação. 

Bots podem infectar novos dispositivos automaticamente, aumentando continuamente o tamanho da rede.

4. Principais usos de botnets

Embora existam aplicações legítimas (como mineração de dados), a grande maioria das botnets é usada para fins criminosos. 

A seguir, apresentamos os principais usos maliciosos das botnets.

4.1. Ataques DDoS (Distributed Denial of Service)

O ataque DDoS é um dos usos mais comuns das botnets. 

Nesse tipo de ataque, milhares (ou milhões) de dispositivos enviam requisições simultâneas a um servidor, sobrecarregando-o até que ele fique indisponível.

Isso pode causar:

  • Interrupção de serviços online;
  • Prejuízos financeiros;
  • Danos à reputação de empresas.

4.2. Envio de spam

Botnets são amplamente utilizadas para envio massivo de e-mails indesejados, muitas vezes contendo links maliciosos ou golpes.

4.3. Phishing

Os bots podem enviar mensagens falsas se passando por instituições confiáveis, com o objetivo de roubar dados sensíveis como senhas e informações bancárias.

4.4. Roubo de dados

Malwares instalados nos bots podem capturar:

  • Credenciais de login;
  • Dados bancários;
  • Informações pessoais.

Além disso, técnicas como keylogging registram tudo o que o usuário digita.

4.5. Fraudes digitais

Botnets também são usadas em esquemas como:

  • Fraude de cliques (click fraud);
  • Manipulação de anúncios;
  • Roubo de licenças de software (warez).

4.6. Uso como proxy

Dispositivos infectados podem ser usados como intermediários para esconder a identidade real do atacante, dificultando o rastreamento.

5. Exemplos de botnets amplamente conhecidas

Ao longo dos anos, diversas botnets ganharam notoriedade devido ao seu impacto global. 

Conhecer esses casos ajuda a entender a dimensão e a evolução dessas ameaças.

  • Mirai: o Mirai é um malware voltado para dispositivos IoT. Em 2016, chegou a controlar cerca de 500 mil dispositivos inicialmente, atingindo posteriormente milhões. Foi responsável por grandes ataques, incluindo o colapso de serviços importantes como Twitter, Spotify e Amazon após atingir o provedor Dyn;
  • Necurs: o Necurs foi uma das maiores botnets já registradas, com mais de 9 milhões de computadores infectados. Foi amplamente utilizada para envio de spam e disseminação de malware. Em 2020, foi desmantelada com apoio internacional liderado pela Microsoft;
  • Reaper: considerado sucessor do Mirai, o Reaper focava principalmente em dispositivos IoT. Descoberto em 2017, infectou entre 10 mil e 20 mil dispositivos conectados;
  • Avalanche: o Avalanche não era uma única botnet, mas uma rede composta por mais de 20 botnets. Foi amplamente utilizada para phishing e, em 2009, foi responsável por cerca de dois terços dos ataques desse tipo no mundo. Foi desmantelada em 2016;
  • Bredolab: a botnet Bredolab foi utilizada principalmente para envio de spam com malware. Chegou a infectar milhões de computadores antes de ser interrompida em 2010;
  • Mariposa: uma das maiores botnets já descobertas, a Mariposa infectou cerca de 13 milhões de computadores em 190 países. Era utilizada principalmente para roubo de dados sensíveis, incluindo credenciais bancárias;
  • Dridex: a botnet Dridex tinha como foco o roubo de dados bancários. A infecção ocorria por meio de anexos de e-mail disfarçados de arquivos legítimos (como Word ou Excel);
  • Echobot: o Echobot é uma evolução do Mirai e está ativo desde 2019. Seu diferencial é a capacidade de explorar vulnerabilidades em diversos tipos de dispositivos, como roteadores, câmeras e softwares de rede.

6. Como identificar se um dispositivo faz parte de uma botnet?

Detectar uma infecção por botnet pode ser difícil, mas alguns sinais podem indicar comprometimento:

  • Lentidão incomum do sistema;
  • Uso elevado de CPU sem motivo aparente;
  • Conexão de internet mais lenta;
  • Processos desconhecidos no sistema;
  • Pop-ups inesperados;
  • Envio de mensagens sem seu conhecimento;
  • Picos anormais de tráfego de rede;
  • Alertas de antivírus.

No entanto, é importante destacar que nem sempre esses sinais estão presentes. 

Muitas botnets são projetadas para permanecer invisíveis.

7. Táticas de proteção contra botnets

Com a evolução e a sofisticação das botnets, a prevenção se torna a abordagem mais eficaz. 

A seguir, destacamos as principais medidas que as organizações devem adotar para fortalecer sua segurança contra essas ciberameaças.

7.1. Manter sistemas atualizados

Atualizações de segurança corrigem vulnerabilidades que podem ser exploradas por malwares. 

Isso inclui:

  • Sistema operacional;
  • Softwares instalados;
  • Firmware de dispositivos IoT.

7.2. Utilizar firewall

Firewalls ajudam a bloquear conexões suspeitas e impedir acessos não autorizados à rede.

7.3. Evitar downloads suspeitos

Não baixar arquivos de fontes desconhecidas e evitar clicar em links suspeitos em e-mails ou mensagens.

7.4. Desativar execução automática (Auto-Run)

Essa funcionalidade pode permitir a instalação automática de malware sem o consentimento do usuário.

7.5. Implementar o princípio do menor privilégio

É fundamental aplicar o princípio do menor privilégio, garantindo que usuários tenham apenas permissões necessárias, reduzindo riscos e o impacto de possíveis infecções.

7.6. Monitorar o tráfego de rede

A análise de padrões de tráfego pode ajudar a identificar comportamentos anormais, como:

  • Conexões frequentes a servidores desconhecidos;
  • Alto volume de envio de dados.

7.7. Segmentar a rede

A segmentação da rede em VLANs (Virtual Local Area Networks) pode limitar a propagação de malware dentro de uma organização.

7.8. Filtrar tráfego de saída

Bloquear comunicações suspeitas para servidores externos ajuda a interromper a comunicação com servidores C&C.

7.9. Utilizar soluções de segurança avançadas

As soluções a seguir desempenham um papel crítico na construção de uma proteção mais robusta e resiliente:

7.10. Monitorar DNS e comportamento do sistema

Requisições DNS incomuns ou repetitivas podem indicar atividade maliciosa.

8. Considerações finais

As botnets são uma ameaça silenciosa, poderosa e em constante evolução. 

Formadas por redes de dispositivos comprometidos, elas são utilizadas para uma ampla gama de atividades criminosas, desde ataques DDoS até roubo de dados e fraudes.

Compreender como essas redes funcionam é o primeiro passo para se proteger. 

A adoção de boas práticas de segurança, aliada ao uso de ferramentas adequadas, pode reduzir significativamente o risco de infecção.

Em um mundo cada vez mais conectado, proteger dispositivos e redes não é apenas uma questão técnica.

É uma necessidade essencial para garantir segurança, privacidade e continuidade dos serviços digitais.

A Diazero Security é um MSSP de Hyper Performance, reconhecido como EED (Empresa Estratégica de Defesa) e certificado pela ISO 27001. 

Combinamos expertise técnica e tecnologias avançadas para apoiar organizações na prevenção, detecção e resposta a incidentes. 

Fale conosco e descubra como fortalecer sua postura de segurança contra botnets e outras ciberameaças.


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