[DZ Insight 2024] Como proteger o setor de varejo contra ciberataques

Entenda os desafios de segurança enfrentados pelo setor de varejo e descubra maneiras de aprimorar a resiliência cibernética nessa área.

27 de Novembro 2024 | 13:00

Aprox. 12 minutos de leitura.


A cibersegurança, embora essencial em todos os setores, apresenta desafios que variam amplamente conforme as especificidades de cada área e os vetores de ataque predominantes. 

Reconhecendo essas particularidades, a equipe de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) da Diazero Security lançou o projeto DZ Insight.

Essa iniciativa consiste em uma série de artigos dedicados a explorar os desafios de segurança digital mais relevantes enfrentados pelos principais segmentos econômicos. 

O objetivo é oferecer análises aprofundadas e acessíveis, compartilhando nosso conhecimento de forma gratuita. 

Assim, buscamos auxiliar profissionais e organizações a entenderem melhor as complexidades da cibersegurança e se prepararem para os riscos específicos de seus mercados.

Indústria

O setor de varejo, especialmente após a pandemia de COVID-19, passou por uma rápida digitalização, com milhões de consumidores optando por compras online. 

Atualmente, existem mais de 30 milhões de sites de e-commerce em operação globalmente, muitos dos quais integrando operações físicas e digitais. 

Embora essa transição ofereça conveniência e alcance, ela também expande significativamente a superfície de ataque, expondo empresas a uma variedade de riscos cibernéticos.

Os varejistas, que processam grandes volumes de informações financeiras e dados pessoais sensíveis, estão entre os alvos preferenciais de cibercriminosos. 

Estima-se que 24% dos crimes cibernéticos tenham como alvo o setor, o que reflete a lucratividade dessas invasões para crackers. 

Além disso, a complexidade das operações, que frequentemente envolvem tecnologias em nuvem, sistemas de ponto de venda e redes amplas, cria brechas que podem ser exploradas maliciosamente.

A situação é ainda mais preocupante quando se considera que cerca de 40% do tráfego em sites de varejo não é humano, mas sim gerado por bots. 

Esses programas automatizados podem roubar dados de clientes, testar credenciais roubadas e até mesmo interromper serviços. 

Com um vazamento de dados custando, em média, 3,91 milhões de dólares ao setor varejista, o impacto financeiro e reputacional pode ser extremamente devastador.

Nesse cenário, equilibrar operações funcionais e níveis adequados de segurança se tornou um dos maiores dilemas do setor de varejo.

Desafios

O setor de varejo enfrenta os seguintes desafios principais:

Segurança em Sistemas de Pagamento

Com a evolução das tecnologias de pagamento, soluções como terminais Point of Sale (POS) e Near Field Communication (NFC) tornaram-se fundamentais para a conveniência e agilidade das transações no varejo. 

No entanto, essa modernização trouxe à tona vulnerabilidades significativas que têm atraído a atenção de cibercriminosos.

A tecnologia NFC, em particular, é amplamente adotada por sua praticidade, permitindo pagamentos por aproximação via dispositivos móveis ou cartões habilitados. 

Embora opere em uma zona de alcance muito limitada, a dependência de comunicação sem fio a torna suscetível a interceptações. 

Isso cria oportunidades para que crackers acessem os dados transmitidos, especialmente em ambientes onde as conexões não são devidamente protegidas.

Um agravante é a ausência de autenticação adicional em muitos sistemas NFC. 

A falta de credenciais de acesso aumenta o risco de exploração por cibercriminosos, permitindo o roubo de informações críticas, como dados de cartões de crédito.

Essa combinação de conveniência tecnológica e brechas de segurança torna os sistemas de pagamento um dos alvos mais frequentes e estratégicos no varejo.

Plataformas de E-commerce

A alta dependência de plataformas de terceiros, como soluções SaaS de e-commerce, limita o controle direto do varejista sobre a segurança da aplicação.

Um caso que observamos envolve um cliente varejista que sofreu um ataque cibernético explorando vulnerabilidades em sua plataforma de e-commerce. 

A falha permitiu que criminosos acessassem informações sensíveis e comprometesse a integridade do ambiente digital. 

Esse tipo de incidente demonstra a importância de integrar práticas de DevSecOps para reduzir riscos e fortalecer a segurança durante o ciclo de desenvolvimento.

O varejo enfrenta desafios adicionais em períodos de alta demanda, como Black Friday, quando o aumento de tráfego sobrecarrega infraestruturas e torna mais difícil identificar e mitigar ameaças em tempo real.

Investir em soluções como WAF, monitoramento contínuo e simulações de ataques pode ajudar a evitar violações e melhorar a resiliência cibernética da operação.

Ataques de Phishing

Diferente de outros setores, as transações no varejo são voltadas diretamente para o consumidor final, o que torna a conscientização sobre cibersegurança ainda mais desafiadora.

Muitos consumidores não têm conhecimento técnico para diferenciar um site legítimo de um falso, especialmente em períodos como Black Friday, quando o volume de promoções e urgência de compra aumentam.

Ataques de phishing direcionados ao público do varejo frequentemente utilizam táticas de engenharia social para criar sites idênticos aos originais e capturar informações como senhas e dados de pagamento. 

Os clientes caem nesses golpes com frequência, mas não se pode responsabilizá-los pela sofisticação das técnicas usadas pelos criminosos.

Empresas de varejo devem monitorar sites falsos, alertar consumidores sobre golpes e agir rapidamente para remover domínios fraudulentos, protegendo sua marca e clientes.

Implementar soluções de proteção de marca digital, como monitoramento de domínios semelhantes e alertas automáticos para atividades suspeitas, é fundamental

Práticas de Proteção

Proteger empresas varejistas é um grande desafio devido à ampla superfície de ataque que apresentam, englobando lojas físicas, e-commerce e redes corporativas. 

Atualmente, muitas empresas investem significativamente em soluções para proteger seus canais de vendas online, mas frequentemente negligenciam a segurança contra ataques laterais dentro das redes. 

Esse tipo de ameaça é especialmente crítico, considerando que cada uma das dezenas de lojas físicas pode se tornar um ponto de entrada ou movimentação para atacantes, comprometendo toda a estrutura da organização.

Como um dos casos de sucesso, a Diazero Security desenvolveu uma solução em parceria com o Grupo Pão de Açúcar, utilizando apenas tecnologias open source e dispositivos Raspberry Pi para criar redes de detecção de honeypots. 

A implementação permite monitorar e identificar tentativas de exploração lateral na matriz e nas lojas, entregando resultados comparáveis a soluções empresariais de alto custo, sem exigir grandes investimentos. 

Este projeto contribuiu diretamente para o cliente ganhar o prêmio 'SOC Avançado', reconhecendo a inovação e a eficiência da abordagem adotada.

Para compartilhar mais sobre esse tema, disponibilizamos E-book e o Webinar, com insights e melhores práticas sobre como enfrentar esses desafios.

Estratégias fundamentais de cibersegurança para o setor varejista:

  • Segurança por Camadas: Implemente múltiplas barreiras de proteção, como firewalls e sistemas de prevenção de intrusão (IPS), para fortalecer a segurança da rede. Adote soluções de monitoramento contínuo para identificar e bloquear acessos não autorizados em tempo real;
  • Soluções de Monitoramento Contínuo: Utilize ferramentas de monitoramento em tempo real para identificar e mitigar ameaças cibernéticas. Integrar essas soluções com a operação diária ajuda a reduzir o tempo de resposta a incidentes e a proteger dados sensíveis;
  • DevSecOps: Implemente práticas de segurança durante o ciclo de desenvolvimento de software para identificar e mitigar vulnerabilidades antes que sejam exploradas. Atualizações regulares e testes contínuos são essenciais para fortalecer a resiliência das plataformas de e-commerce;
  • Segmentação de Rede: Separe redes de lojas físicas, e-commerce e sistemas administrativos, limitando o alcance de possíveis invasores e aumentando a resiliência em caso de incidentes;
  • Treinamento e Conscientização: Capacite equipes internas e parceiros para identificar ameaças e adotar práticas seguras, minimizando o risco de exploração de pontos fracos humanos.

Conclusão

A segurança cibernética no varejo requer uma abordagem estratégica e integrada, considerando as particularidades de um setor com grande superfície de ataque. 

Lojas físicas, e-commerce e sistemas corporativos precisam de proteção alinhada às suas especificidades, com monitoramento contínuo e soluções eficientes contra ameaças laterais. 

Garantir a segurança vai além de proteger dados sensíveis. 

Trata-se de preservar a confiança dos consumidores e a reputação da marca, elementos cruciais para o sucesso no mercado atual.


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