Gestão de Ativos de TI (ITAM): fundamentos, componentes e futuro

Entenda como funciona a Gestão de Ativos de TI, seus principais componentes, além dos desafios e tendências, conforme as diretrizes do ITAM Forum.

19 de Janeiro 2026 | 13:30

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Com a crescente dependência tecnológica das organizações, a Gestão de Ativos de TI (ITAM) deixou de ser uma atividade operacional restrita ao controle de inventário.

Hoje, ela é considerada um pilar estratégico de governança, cibersegurança, conformidade legal e otimização de custos.

Neste artigo, exploraremos os fundamentos do ITAM, seus principais componentes, os impactos da nuvem e do modelo SaaS, além dos desafios e tendências atuais.

A principal referência utilizada é o documento The basics of IT asset management, elaborado pelo ITAM Forum.

1. O que é Gestão de Ativos de TI (ITAM)?

A Gestão de Ativos de TI pode ser definida como o conjunto de práticas, processos, políticas e ferramentas utilizadas para gerenciar todo o ciclo de vida dos ativos de tecnologia, desde a sua aquisição até o descarte.

Esses ativos incluem, mas não se limitam a:

  • Softwares on-premises e em nuvem;
  • Licenças de software;
  • Equipamentos de hardware;
  • Infraestrutura em nuvem (IaaS, PaaS);
  • Aplicações SaaS;
  • Containers e workloads dinâmicos.

O objetivo do ITAM é garantir que os ativos de TI sejam utilizados de forma eficiente e segura, em conformidade com contratos e legislações aplicáveis.

Ao mesmo tempo, a prática contribui para a redução de riscos operacionais e do desperdício financeiro associado ao uso inadequado de tecnologia.

2. As origens Gestão de Ativos de TI (ITAM)

Historicamente, a Gestão de Ativos de TI surgiu a partir da consolidação de duas disciplinas fundamentais. 

A seguir, apresentamos os principais conceitos que deram origem ao ITAM.

2.1. Software Asset Management (SAM)

O SAM surgiu em resposta ao aumento de auditorias de software por fabricantes, visando assegurar que organizações utilizassem seus produtos conforme os termos contratuais.

Seu foco principal sempre foi:

  • Gestão de licenças;
  • Conformidade contratual;
  • Prevenção de multas e penalidades;
  • Otimização do uso de software.

2.2. Hardware Asset Management (HAM)

Já o HAM concentra-se na gestão de equipamentos físicos, como servidores, desktops, notebooks, dispositivos de rede e outros ativos tangíveis, cobrindo aspectos como:

  • Ciclo de vida do hardware;
  • Manutenção;
  • Depreciação;
  • Substituição e descarte.

Com o tempo, essas duas disciplinas convergiram, dando origem ao ITAM moderno, mais abrangente e integrado ao negócio.

3. Os componentes fundamentais da Gestão de Ativos de TI

Um programa de Gestão de Ativos de TI maduro é sustentado por componentes estruturais bem definidos, que garantem visibilidade, controle e governança.

3.1. Inventário e descoberta de ativos

O primeiro passo de qualquer iniciativa de ITAM é a descoberta completa dos ativos de TI. Isso envolve identificar:

  • Máquinas físicas e virtuais;
  • Softwares instalados;
  • Aplicações SaaS em uso;
  • Ativos em ambientes híbridos e multicloud.

Sem um inventário confiável, não é possível falar em controle, conformidade ou otimização.

3.2. Normalização de dados

Após a coleta, os dados brutos precisam ser normalizados.

Isso significa padronizar nomes de softwares, versões, fabricantes e métricas de licenciamento, evitando inconsistências que comprometam análises e decisões.

A normalização é essencial para:

  • Cálculos corretos de licenciamento;
  • Relatórios confiáveis;
  • Visão unificada do ambiente de TI.

3.3. Gestão de licenças e contratos

A licença de software é o coração da Gestão de Ativos de TI. 

Cada contrato define:

  • Quem pode usar o software;
  • Em quais condições;
  • Em quais ambientes;
  • Por quanto tempo.

Interpretar corretamente cláusulas contratuais, métricas de uso e direitos de upgrade e downgrade é uma competência crítica da Gestão de Ativos de TI.

Essa atividade é frequentemente realizada de forma integrada com as áreas Jurídica e de Compras, especialmente em contextos de auditoria e renovação contratual.

3.4. Conformidade e gestão de riscos

A conformidade não se limita apenas a contratos. 

Ela envolve também:

  • Regulamentações setoriais;
  • Leis de proteção de dados, como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD);
  • Políticas internas de segurança;

Um programa de ITAM eficiente reduz significativamente:

  • Riscos financeiros;
  • Riscos legais;
  • Exposição a auditorias desfavoráveis;
  • Vulnerabilidades associadas a softwares obsoletos.

3.5. Cálculo da Effective License Position (ELP)

A Effective License Position (ELP) representa a diferença entre:

  • Licenças adquiridas (entitlements);
  • Licenças efetivamente utilizadas (consumo).

Esse cálculo permite identificar:

  • Excesso de licenças (oportunidade de economia);
  • Déficit de licenças (risco de não conformidade).

A ELP é um dos indicadores mais estratégicos do ITAM.

4. O modelo DINROS e a maturidade da Gestão de Ativos de TI

O ITAM Forum destaca frameworks que auxiliam na maturidade da Gestão de Ativos de TI, como o DINROS, composto por seis etapas:

  1. Discovery: descoberta dos ativos;
  2. Inventory: inventário detalhado;
  3. Normalization: padronização dos dados;
  4. Reconciliation: conciliação entre consumo e licenças;
  5. Optimization: otimização de custos e uso;
  6. Sharing:compartilhamento de informações com o negócio.

Esse modelo reforça que o ITAM não deve ser um silo técnico, mas uma fonte de inteligência para múltiplas áreas da organização.

5. A expansão da Gestão de Ativos de TI para cloud e SaaS

A adoção de cloud computing e SaaS transformou profundamente a Gestão de Ativos de TI.

5.1. Do foco em conformidade ao foco em custos e riscos

Em ambientes tradicionais, o maior risco era a não conformidade com licenças.

Na nuvem, surgem novos desafios:

  • Sprawl de SaaS;
  • Custos invisíveis;
  • Assinaturas não utilizadas;
  • Usuários ativos após desligamento;
  • Workloads esquecidos em cloud.

A Gestão de Ativos de TI passa a atuar fortemente na contenção de custos, sem perder de vista a segurança cibernética.

5.2. Mudança nos modelos de licenciamento

A transição de licenças perpétuas para modelos de assinatura e pay-as-you-go exige novas abordagens de controle.

Agora, métricas podem incluir:

  • Número de usuários ativos;
  • Consumo de APIs;
  • Transações;
  • Uso efetivo de funcionalidades.

Sem visibilidade, o risco financeiro cresce rapidamente.

6. O futuro da Gestão de Ativos de TI

De acordo com o ITAM Forum, o futuro da Gestão de Ativos de TI está diretamente associado ao conceito de Technology Intelligence.

Esse conceito representa a capacidade de obter visibilidade completa, dados normalizados e insights acionáveis sobre todo o ecossistema tecnológico da organização.

Nesse novo cenário, a Gestão de Ativos evolui de uma função operacional para um habilitador estratégico, passando a:

  • Apoiar decisões estratégicas baseadas em dados confiáveis;
  • Integrar-se a áreas como FinOps, Segurança da Informação, RH e Compliance;
  • Sustentar iniciativas de sustentabilidade e eficiência operacional;
  • Reduzir riscos cibernéticos associados a softwares obsoletos, não gerenciados ou não conformes;
  • Otimizar investimentos tecnológicos ao alinhar uso, custo e valor para o negócio.

Essa evolução posiciona a Gestão de Ativos de TI como um pilar central da governança tecnológica.

7. Considerações finais

A Gestão de Ativos de TI evoluiu para atender a um cenário cada vez mais complexo, dinâmico e regulado.

Organizações que tratam a ITAM apenas como inventário ou controle de licenças perdem oportunidades de economia, eficiência e mitigação de riscos cibernéticos.

Adotar um programa estruturado de Gestão de Ativos, alinhado às boas práticas preconizadas pelo ITAM Forum, é um passo essencial para:

  • Garantir conformidade;
  • Reduzir custos;
  • Aumentar a maturidade em governança e cibersegurança;
  • Sustentar a transformação digital.